quinta-feira, 2 de julho de 2009

Soldado Perdido

Navegando por mares sem maré
Aportei a porta do teu quartel
Sem saber em que guerra combatias
Sem saber se o teu sangue escorria
Caminhei pelo campo chamando
O nome do soldado perdido
O nome do amor perdido
Amor que não era meu
E sim um amor herdado
Daquela que padeceu
Não dizendo que te amava
Escondendo no coração
A paixão que a consumia
E no peito a doença que a impedia.
O clamor da trompeta soou
Todo o meu ser estremeceu
E de repente o barulho cessou
Nem um som se ouvia.
Ai te vi caminhar
Por entre cadáveres e escombros
Olhando sem ver
Sentindo sem doer.
Abraçaste-me como força
Reconheceras o seu perfume
Sonhaste que estavas com ela.
Contei-te o fado triste
E perdido te sentiste
De joelhos caíste no chão
E ali sem balas ou explosões
Morreste a meus pés…
Com o mundo escurecido
E o coração partido.

sábado, 23 de maio de 2009

Pescador


Pescador que navegas horas sem fim

Buscando sustento entre a maresia

Procuras seguindo sem medo

O amor de costa a costa

A vida de linha a linha.



Remendas as redes que lanças ao mar

Mas sem remedeio está o que pretedes alcançar

Os olhos daquela mulher que vês partir

E que encontras ao chegar, sempre a sorrir.



A tua pele queimada pelo sol

Rachada pela força dos elementos

Une-se numa dança sem par

Com Neptuno calmo ou revoltado

Lutando para chegar a mais um porto abrigado.



Choraste a partida de muitos

Ris-te a alegria das chegadas

Procuras aqueles olhos verdes

Nos quais te perderias de verdade

Sem medo de quebrar a linha

Sem medo de partir o anzol.



Oh pobre pescador!

Porque não chamas a tua amada varina

Vai com ela nessa viagem antiga

Caminhando juntos lado a lado

Dirijam-se à cama fria

Façam a vossa despedida final

Acenando aquela barca esquecida

Abraçando um destino sem par

Recomeçando uma e outra vez

Uma nova pescaria...

Uma nova viagem.




terça-feira, 5 de maio de 2009

Afrodite


Procurando-te
Buscando-te
Sem saber por onde começar
Por onde acabar de gritar
Gritando teu nome
Para não perder a fé
Chorei, Sorri, Receei
Levada pela lua serei
Para te descobrir sentada
No alto de uma estrela
Usando a tua voz de encanto
Para solucionar o desencanto
Do que é amar e perder
Sem ter como voltar
Envolta no manto de pranto
Envolta num mar de paixão sem fim
Chorando o amor derramado
O tempo desperdiçado
A desgraça que se abarca
Como a fúria de um batel
Que ondula neste corpo de fel salgado
Quebrando a cada beijar
Sonhando a cada nova enseada
Aportando no aconchego desse abraço
Nesse de regaço de Afrodite
Nessa esperança de voltar
A navegar nesse batel
A adoçar o fel.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Folha de Papel


Folha de papel
Esquecida entre o pincel
Sem desenhos ou borrões
Sem pinceladas ou corações
Jaz aqui
Inerte e fria.

Que segredos esconderá
Que histórias contará
Que loucura causará
Loucura de amor?
Sofrimento?
Paixão?
Ou será apenas mais um alento
Deste dom que é a razão.

Razão sentida
Em sentimentos desconexos
Em lugares descobertos
Por entre cada pincelada
E cada lata de tinta derramada.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Sonho real

De olhos postos em ti
Atravessei a ponte e corri
Ao ver-te à espera bem lá ao fundo
Sorri e respirei fundo
Afinal estavas ali
Não tinha sido um sonho
Não tinhas sido apenas mais um dos meus castelos construídos no ar
Eras real.
Quando cheguei junto a ti
O teu sorriso tinha doçura, candura…
Envolveste-me nos teus braços
Rodopiaste-me no ar
E beijaste-me
Com a intensidade do luar
E a loucura do que é amar.
Demos as mãos e caminhámos
Numa direcção sem destino
Num caminho sem contorno
Envoltos neste nevoeiro tonto
Que nos impede de ver
Que independentemente do caminho
O principal é o porto onde iremos chegar
O coração no qual iremos aportar
E acima de tudo
O sonho da qual não quero acordar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009


Sonhando com o riso perdido
Descobri que afinal o coração estava partido
Com a tua partida ficára esquecido
Ficára poeirento, sem graça, desengonçado
E agora que acordei é que reparei
Que o tinha quebrado e maltratado.

Acordado por um suspiro tosco
Por uma paixoneta de criança
Deixei este coração louco
No cimo de uma balança.

Pesei os prós e os contras
Deste idilío de apaixonado
Pois apesar de quebrado e empoierado
Contínua a sentir e a ansiar
Sair do armário onde se encontra
Guardado dos olhares inquesidores
Que julgam condenando quem olham
Sem saber o que é o amor.

Decidida a soltar
Estes sonhos, estas esperanças
Abri a janela e soltei a trança...
O coração iria voltar a voar.

Voa lá no alto do céu
Caminha por entre as nuvens
Sem medo de perder a força
Sem receio de que chegue a chuva.

Ama mais e muito
Muitos mais do que poucos
Que um dia voltarás
A ser apenas mais um Ás
Deste baralho desfeito
Pesado em pratos de balança
Enquanto eu lanço a minha trança.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Fado de Varina


Quando as ondas quebram na areia

E o sol finda no horizonte

Todo o meu coraçao se aperta

Toda eu sou dor.


Quando chega a hora

Dirijo-me aquela praia vazia

Para te dizer adeus

Para quebrar a alma minha.


Em segredo sofro as ausências

As horas perdidas, esquecidas do relógio da torre

Caminhando por ruas desertas, calçadas incertas

Choro a amargura deste fado.


Testemunhas do meu sofrer

Cansadas do meu pisotear

Estão estas lages antigas

Que não páram de implorar

A tua volta do mar.


Rezo para regressares

Uma e outra vez...

Desejando que não tenhas de voltar

Para aquele desterro sem par

Para longe do meu regaço

Mas sempre perto do meu abraço.


Ali em pé naquele Porto de Abrigo

Vejo-te ir e voltar

Entre tantas ondas do mar

Entre tantas vidas a passar

Mas sempre igual ao chegar

Quando me vês e sorris

Correndo para me abraçar.